Arquivo paraNovembro, 2006

A história de Hui Neng

Desta vez, um dos principais temas de discussão foi a história de Hui Neng na versão Wikipedia:

Quando o Quinto Patriarca, Hongren (em japonês, Daiman Konin, 601-647), decidiu escolher quem o sucederia, propôs a seus discípulos que tentassem captar a essência do Zen em um poema; o autor do melhor poema seria seu sucessor. Quando receberam a notícia, os monges já sabiam quem seria o vencedor: Shenxiu, o aluno mais antigo de Hongren. Ninguém se deu ao trabalho de competir com ele. Apenas esperaram, e Shexiu escreveu seu poema e o pendurou na parede:

“Este corpo é a árvore de Bodhi.
A alma é como um espelho brilhante.
Toma cuidado para que sempre esteja limpo,
não deixando o pó se acumular sobre ele”.

Todos os monges gostaram. Com certeza Hongren também iria gostar. Entretanto, no dia seguinte havia outro poema pendurado ao lado, que alguém havia pregado durante a noite:

“Bodhi não é como uma árvore.
O espelho brilhante não brilha em parte alguma:
Se nada há desde o princípio,
Onde se acumula o pó?”

Os monges ficaram assombrados. Quem teria escrito aquilo? Depois de algum tempo, descobriram: o autor do poema era Huineng, o cozinheiro do monastério. E, percebendo sua realização, foi a ele que Hongren estendeu seu manto e sua tigela, fazendo de Huineng o Sexto Patriarca.

Nota: nestas últimas sessões caiu de pára-quedas William Gavião na UBP, que apresenta Demonerum 121 na câmara de Matosinhos, no próximo fim-de-semana – basta reservar os bilhetes, a entrada é gratuita!

“O Zen desafia qualquer definição: nem é uma religião, nem uma filosofia, nem um sistema de pensamento, nem uma doutrina, nem uma crença.
A meditação Zen, como prática de base, ajuda-nos a experimentar
o que não pode ser definido: o instante presente, aqui, agora.”

Amy Hollowell sensei

Às quartas-feiras, no círculo de partilha na UBP, decidimos “estudar” o Zen. Claro que o primeiro problema é que o Zen de uma certa forma não é “estudável” :)   A discussão foi à volta dos quatro aspectos geralmente apresentados como possíveis “definições”: … continue reading this entry.

Zazen

No Zazen não devemos ter expectativas. Zazen não é uma técnica para obter o que quer que seja, é muito mais natural do que isso. No entanto, as coisas mais naturais são por vezes as mais difíceis. E porquê? Porque pensamos. Não há nada de errado com o pensamento. Pensar é um processo muito natural, mas deixamo-nos condicionar muito facilmente pelos nossos pensamentos e damos-lhes muito valor. Tentamos cuidar de nós mesmos, da estrutura do nosso ego, através do pensamento. Pensar é uma abstracção. Não é ser, é pensar sobre ser. E uma vez que nascemos e morremos sete mil vezes por segundo, as condições que pensamos já desapareceram. Pensamos acerca de sombras em vez de sermos a própria vida.

Taizan Maezumi Roshi (1931-1995)

Mais leituras Zen no site Daruma.


O Zazen não vos pertence

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Lemos no sábado um pequeno trecho de Folhas caem, um novo rebento. Ficou-me esta frase:

 Não se preocupem, não se apeguem ao vosso minúsculo sentido de luta.