Arquivo paraMarço, 2007

Porquê meditar

Diz-se que a meditação pode trazer benefícios físicos e mentais a quem a pratica com regularidade. Segundo estudos médicos, os seus benefícios variam entre o desenvolvimento da capacidade de concentração e de raciocínio a melhorias na actividade do sistema imunitário, a alívio de insónias e problemas relacionados com tensão alta. Os praticantes Zen não deixam, porém, de contrair doenças, de sofrer, de morrer. A meditação não é um meio para se alcançar a imortalidade física ou para se libertar das leis da natureza. 

Somos o que pensamos
Tudo o que somos provém
dos nossos pensamentos.
Com os pensamentos
Fazemos o mundo

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Sandokai

Sandokai – A Identidade do Relativo e do Absoluto 

A mente do grande sábio da Índia
é intimamente transmitida de Oeste a Este.
Enquanto entre os seres humanos há sábios e tolos
na Via não há patriarcas do Norte ou do Sul.
A fonte espiritual é clara e luminosa,
os afluentes correm através da escuridão.
Apegar-se às coisas é ilusório,
encontrar o absoluto não é ainda a iluminação.
Um e Todos, as esferas subjectiva e objectiva,
estão relacionados e ao mesmo tempo independentes.
Estão relacionados mas trabalham de modo diferente,
cada um mantém o seu próprio lugar.
O carácter e a aparência variam na forma,
os sons distinguem-se entre harmoniosos e desagradáveis.
A obscuridade faz as palavras iguais,
a luz distingue as frases boas e más.
Os quatro elementos retornam à sua natureza
tal como uma criança para a sua mãe.
O fogo é quente, o vento move-se,
a água é líquida, a terra sólida.
Os olhos vêem, os ouvidos ouvem,
o nariz cheira, a língua saboreia o salgado e o doce.
Cada um é independente do outro
como folhas nascidas da mesma raiz,
causa e efeito devem regressar à grande realidade.
As palavras alto e baixo são usadas de modo relativo.
Na luz existe a escuridão
mas não tentes compreender essa escuridão,
na escuridão existe a luz
mas não procures essa luz.
Luz e escuridão formam um par,
como o pé adiante e o pé atrás ao andar.
Cada coisa tem o seu valor intrínseco
e está relacionada com tudo o resto em posição e função.
O relativo e o absoluto ajustam-se
como uma caixa e a sua tampa.
O absoluto funciona em conjunto com o relativo
como duas flechas que se encontram em pleno ar.
Ao ler as palavras deves perceber a grande realidade.
Não julgues por quaisquer critérios.
Se não vês o caminho
não o vês mesmo ao andares nele.
Quando percorres a Via
não estás perto nem longe.
Mas se andas iludido estarás a rios e montanhas de distância.
Digo respeitosamente, aos que querem a iluminação
”noite e dia, não percam tempo”.
 

autor: Sekito Kisen, o 35.º patriarca
tradução: João Rodrigues, Margarida Cardoso
(este texto faz parte dos cânticos diários de muitos centros zen)

O Zen

O Zen é uma prática de meditação que se desenvolveu na Índia e na China (aí conhecido por Chan) e faz parte de uma antiga tradição com 2.500 anos fundada por Siddharttha Gotama. Este viria a ser conhecido por “Buda,” que significa simplesmente o “desperto”, e que viveu e morreu como um ser humano e não como um deus objecto de veneração. O Chan irradiou da China para a Coreia (aí conhecido por Son), para o Japão (por Zen) e para o Vietname (por Thien). Nos últimos quarenta anos, aproximadamente, criou raízes em muitos outros países.

 Muito embora a escola Zen se conforme em todos os aspectos aos ensinamentos tradicionais budistas, possui uma espontaneidade que desafia a ortodoxia espiritual tradicional.

 O Zen é uma prática de transformação dos processamentos mentais pela atenção dada ao presente. Pratica-se em todas as circunstâncias, no acto de mudar o babete a um criança, numa reunião de trabalho com colegas, num engarrafamento, a cortar legumes para o jantar, ou sentado no topo de uma remota montanha.

Conhecemos este Agora? Se responderes que “sim”, ignoras este Agora (este tu mesmo), porque este Agora nunca antes apareceu! Nunca aconteceu e nunca o experimentámos. Isto é totalmente novo e uma vez aqui na eternidade

Hôgen Yamahata